Experimentar, problematizar, interagir: a educação segundo Léa Fagundes

De LEC

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Artigo veiculado pela Portal da Educação PÃ?ºblica em 5/9/2001

Para a professora e pesquisadora, o sistema educacional precisa mudar profunda e urgentemente.

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Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), pesquisadora especialmente interessada na aplicação das tecnologias de informação aos processos educacionais, Léa Fagundes acompanha as transformações da educação brasileira há mais de 50 anos. No dia 13 de agosto, equipe e convidados do CEDERJ puderam conhecer mais de suas experiªncias e idéias, em palestra que, em vários momentos, virou um bom bate-papo.



Uma trajetória inquieta

Léa começou contando o início de sua trajetória de estudos em educação. Na década de 40, aos 15 anos, já se dedicava a lecionar matemática para meninos de rua ("eles já existiam naquela época"), inconformada com a visão, comum entre os professores, de que crianças pobres eram "burras" e "incapazes de aprender".

Essa primeira experiªncia não foi um sucesso, e a bem-humorada Léa teve que dar muito murro em ponta de faca, seguindo os tortuosos caminhos que sua curiosidade lhe propunha e o conhecimento das diferentes épocas lhe propiciava. O pensamento matemático continuou interessando vivamente a professora, assim como a psicologia, área indispensável para o educador que deseja, muito mais do que saber ensinar, entender como os alunos aprendem.

Da objetividade behaviorista Ã? s então nascentes teorias da percepção gestáltica, do simbolismo de Saussure Ã?  revelação cognitiva de Piaget, sua tradução por Paulo Freire e o advento das novas tecnologias, nada escapou ao espírito experimentalista e inquieto de Léa, que no início dos anos 80 driblou a lei da reserva de mercado dos militares para ser umas pioneiras da computação em sala de aula.

Hoje seu trabalho é referªncia nacional, antenado com o presente e o futuro: "não vivemos mais a cultura do ensino, vivemos a cultura da aprendizagem. Na sociedade da informação, eu sei que meu aluno sabe muito mais do que eu. Mas continuo correndo atrás", disse a professora na palestra.

Aprendizado e tecnologia

Criadora do primeiro grupo brasileiro para estudar o desenvolvimento cognitivo infantil, Léa Fagundes afirmou que "o modo de funcionar da inteligªncia humana se dá em construir conhecimento pela atividade e a interatividade". E, coerente com esta observação, defendeu que "o ensino não pode ser centrado no conteÃ?ºdo, mas na problematização, deixando o estudante fazer sua própria estruturação dos conteÃ?ºdos com que tem contato".

Esta perspectiva levou-a investigar a Informática e outras tecnologias de informação já no começo dos anos 80. Léa considera fundamental o uso educacional dessas tecnologias, que, na sua visão, "estão efetivamente mudando a cultura, por expandirem a capacidade mental do Homem". Ela destacou que as novas tecnologias estimulam a auto-expressão e a interação - entre os estudantes e destes com os educadores -, além de permitirem uma educação flexível, adaptável Ã? s diferentes naturezas cognitivas dos alunos, e de fácil acompanhamento pelo professor.

Mas a educadora e pesquisadora não vª a tecnologia em si como uma revolução pedagógica: "se as novas tecnologias forem implantadas no sistema educacional como ele está hoje, linear, compartimentado, pouco criativo, não haverá mudanças, será como dourar a pílula".

Por mudanças (profundas) na educação

Com uma visão muito crítica do sistema, das práticas e das concepções educacionais que predominam hoje, Léa afirmou que "em geral, os professores não sabem como o ser humano pensa nem como ele aprende". Ela considera pouco eficiente a divisão dos conhecimentos em disciplinas e aulas, por entender que este ordenamento contraria a natureza do aprendizado humano. Também se opõe Ã?  determinação prévia das competªncias a serem adquiridas pelo aluno: "o professor define perfis e habilitações a partir de si mesmo, mas ele já está defasado quanto ao que se sabe e se faz no mundo de hoje", explicou.

A melhoria desse panorama, segundo Léa Fagundes, passa por despertar os professores para a necessidade de investigarem, sempre, os processos envolvidos na educação, e para a iniciativa de, criativamente, responderem Ã? s mudanças do mundo e melhorarem continuamente esses processos. No caso atual, a comunidade de educadores precisa vencer suas desconfianças e explorar as possibilidades abertas pela realidade tecnológica.

A palestra de Léa Fagundes no CEDERJ durou mais de duas horas. Léa, muito Ã?  vontade, respondeu diversas perguntas, deu e debateu idéias sobre educação a distância. Contou, também, experiªncias educacionais que orientou e coordenou.


fonte : http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=19

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