O LOGO no LEC

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A partir de 1979, o LEC propÃ?´s-se a investigar os esquemas cognitivos mobilizados e criados pela criança enquanto está construindo procedimentos em linguagem LOGO.

Já em 1981 realizamos um primeiro estudo que resultou na construção de um modelo sobre as formas de raciocíínio geométrico de crianças com dificuldades para aprender a ler, escrever e a calcular. Este estudo possibilitou também definir a utilização terapªutica da programação em LOGO como um recurso para tratar tais dificuldades (Fagundes e Mosca, 1985).

Em 1985 estudamos os efeitos da atividade de programação em LOGO nos alunos repetentes de uma classe de primeira série de uma escola pÃ?ºblica municipal de Porto Alegre que atende uma população de favelados. Os resultados mostraram que a interação com o ambiente LOGO produziu mudanças no funcionamento cognitivo das crianças tanto a curto prazo (todas se alfabetizaram) como a médio prazo (as que continuaram na mesma escola seguiram sua escolaridade sem repetªncia nos anos posteriores).

Os resultados anteriores nos estimularam a seguir neste campo de estudo e a buscar um maior aprofundamento metodológico e cientíífico para controlar os resultados. Nosso objetivo, na introdução do computador para crianças em processo de alfabetização, tem sido o de enriquecer o ambiente de aprendizagem com recursos que propiciem a troca de síímbolos escritos tanto na interação da criança com a máquina, quanto na interação de crianças entre si e com o professor.

No ano de 1986, investigamos crianças pré-escolares em interação com o ambiente informatizado LOGO. Os resultados evidenciaram que esta atividade possibilitou a expressão e a representação de suas hipóteses sobre a leitura, a escrita como também sobre a construção do nÃ?ºmero (Maraschin, 1987).

Em 1987 procuramos investigar se a interação de crianças com o ambiente de aprendizagem LOGO pode incrementar os atos de leitura e de escrita e se tais atos mentªm-se no mesmo níível ou se ocorrem transformações em sua qualidade durante o transcurso das sessões. Para tal identificamos os nííveis de desenvolvimento conceitual em trªs áreas do conhecimento de crianças em processo de alfabetização com diferentes condições de escolarização: calouros, repetentes e crianças de classe especial. Trabalhamos com 60 crianças de primeira série escolar da rede pÃ?ºblica tanto estadual quanto municipal. Como resultado mais significativo deste estudo, destaca-se a possibilidade de se observar mudanças conceituais durante a interação da criança com o ambiente LOGO. Estas mudanças foram estudadas quando a criança enfrentava a necessidade de resolver tarefas (colocadas pela própria contingªncia da programação) de escrita dos comandos ou palavras, da representação das quantidades e da própria programação.

No perÃ?Æ?íodo 89/90 (Maraschin, 1989; Nevado, 1989), o estudo tomou a direção de uma pesquisa aplicada. Sentimos a necessidade de comparar o desenvolvimento conceitual de crianças em processo de alfabetização que interagiram com o ambiente LOGO. Foram avaliadas 60 crianças de escola pÃ?ºblica, em trªs domÃ?´ínios do conhecimento (representação do espaço, nÃ?ºmero e lííngua escrita). As crianças que interagiram com o ambiente informatizado LOGO apresentaram, no final da pesquisa, nííveis conceituais significativamente superiores aos das crianças (seus colegas de turma) que não interagiram com o ambiente.

Estes resultados evidenciam que a interação de crianças em processo de alfabetização com o ambiente LOGO potencializa trocas simbólicas de diversos conteÃ?ºdos, tais como: a representação escrita da lííngua, o sistema posicional numérico, a comunicação gráfica e, sobretudo, a construção e o uso dos objetos simbólicos que são os programas no computador. Outro resultado significativo é que a interação solicita o processo de abstração reflexiva, promovendo a construção das conceituações que são a base para a aprendizagem da leitura, da escrita, da compreensão e operação com o sistema numérico e dos demais códigos representativos da cultura.

Uma nova linha de pesquisa em Educação Especial se inicia no LEC quando o enfoque interacionista da Psicologia Genética é aplicado ao estudo dos talentos e das necessidades especiais. Se a Psicologia Genética nos tem fornecido um referencial teórico poderoso para estudar e compreender o desenvolvimento cognitivo da criança em geral, poderão também servir como um modelo explicativo do desenvolvimento e embasar modos de intervenção que incrementem os processos de aprendizagem das crianças ditas "especiais"?

O paradigma empiricista, que deu suporte Ã? s pesquisas tradicionais em Educação Especial e no qual a tecnologia instrucional investigou em larga escala, mostrou resultados limitados Ã? s mudanças de desempenho. Foi reduzido seu poder explicativo sobre o processo de desenvolvimento e sobre a superação de limites . A psicologia genética, que significa uma mudança de "quadro epistªmico" aponta para uma concepção distinta de Educação Especial, na qual a ªnfase recai sobre as possibilidades do sujeito, quaisquer que sejam seus limites, como agente ativo na construção do conhecimento, e, portanto, da aprendizagem

Dentro deste novo paradigma, em 1981, iniciamos pesquisas com crianças portadoras de necessidades especiais em interação com a linguagem LOGO de programação (Fagundes, L. ; Mosca, R., 1985). Estas pesquisas evidenciaram que a utilização de recursos informáticos dentro das concepções da epistemologia genética possibilita um incremento da atividade de coordenações inferenciais e desenvolvimento da abstração reflexiva, que se constituem em processos chaves para a ultrapassagem dos limites individuais.

Ampliando estas primeiras investigações estudamos o processo de construção do conhecimento de crianças e adolescentes em Educação Especial. Procuramos identificar a presença de talentos e possibilidades e explorar os efeitos da interação destes com o ambiente informatizado, bem como as novas possibilidades de intervenção do facilitador ou professor (Fagundes, L.; Maraschin, C., 1990).

Para isto foram realizados estudos aprofundados de sujeitos com diferentes tipos de dificuldades de aprendizagem e de talentos, incluindo crianças e adolescentes portadores de "deficiªncia mental", "deficiªncia fíísica associada a deficiªncia mental" e "psicose"(Fagundes, L; Nevado, R.; Maraschin, C., 1989), (Real, L., 1990), (Costa, I., 1990) e (Kessler, C., 1991). Além disso, desenvolvemos um trabalho com crianças deficientes auditivas que frequentavam uma Classe Especial, em processo de alfabetização (Fagundes, L, 1990). Dentro desta mesma linha de pesquisa estudamos o desenvolvimento cognitivo e criativo de estudantes interagindo com a linguagem LOGO (Fagherazzi, M. C., 1991) . Todos estes estudos foram orientados pelo método clíínico piagetiano, que permitiu não são a investigação dos processos cognitivos dos sujeitos como também possibilitou uma interação qualitativamente superior com o ambiente informatizado, onde o processo reflexivo são permanentemente solicitado, possibilitando a ultrapassagem de diferentes nííveis de representações, tais como da lííngua escrita, do espaço e do sistema posicional numérico. Desta forma, falamos em desenvolvimento e em aprendizagem no sentido piagetiano e não em treinamento de habilidades através do uso da tecnologia.

Nossos estudos mostram que é possíível o desenvolvimento dos processos interativos de crianças e adolescentes com necessidades especiais e que estes podem ser incrementados num ambiente informatizado orientado por este paradigma.

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